124 voltas, 831 quilômetros e nenhum vencedor: os belgas que fizeram história no Mundial
Merijn Geerts e Ivo Steyaert superaram a marca mundial de voltas no Mundial de Equipes de 2026. Depois de mais de cinco dias correndo, decidiram parar juntos. O resultado? Um feito histórico e nenhum vencedor individual.
Imagine correr durante cinco dias. Ver o sol nascer e se pôr repetidas vezes, completar centenas de quilômetros e continuar voltando à mesma linha de largada. Agora imagine fazer tudo isso, superar a maior marca de voltas da história da modalidade e terminar sem um vencedor. Foi o que aconteceu na Bélgica, em 22 de outubro, no encerramento do Mundial de Backyard Ultra por Equipes de 2026.
Merijn Geerts e Ivo Steyaert completaram 124 voltas cada um. Foram aproximadamente 831,5 quilômetros por atleta, ao longo de 124 horas de competição.
Depois da última volta, decidiram que não haveria uma próxima largada. Os dois pararam juntos.
Cinco voltas além da marca anterior
Até então, a maior marca mundial era de 119 voltas, estabelecida pelo australiano Phil Gore, em junho de 2025, na Dead Cow Gully Backyard Ultra. Os belgas foram cinco voltas além.E não era a primeira vez que dividiam uma marca extraordinária. Em 2022, Geerts e Steyaert já haviam encerrado uma competição juntos, depois de 101 voltas. Em 2024, os dois também estiveram entre os atletas que alcançaram 110 voltas no Mundial por Equipes.A história voltou a se repetir em 2026, desta vez com números ainda maiores.
Mas por que ninguém venceu?
Essa é uma das particularidades mais interessantes da Backyard Ultra. A cada hora, os atletas precisam completar um percurso de 6,706 quilômetros. Quem termina dentro do limite pode descansar até a próxima largada. Quem não consegue completar a volta ou deixa de largar está fora.A competição continua até que reste apenas um atleta capaz de completar uma última volta sozinho. É daí que vem o conceito de *Last One Standing*, o último a permanecer em pé.Na Bélgica, Geerts e Steyaert terminaram a 124ª volta, mas nenhum dos dois largou para a 125ª. Sem uma volta final completada por apenas um atleta, não houve vencedor individual.A ausência de um vencedor não apaga a marca alcançada. Os dois completaram 124 voltas, superando o recorde anterior de 119. O desempenho de ambos está registrado nos resultados da organização internacional.
E o título mundial?
Apesar de terem sido os últimos atletas do planeta ainda em competição, os belgas não conquistaram o título mundial por equipes. Isso porque, no Mundial de Equipes, o resultado de cada país é determinado pela soma das voltas completadas por todos os seus representantes.Os Estados Unidos conquistaram o título com 1.120 voltas. A Austrália terminou em segundo, com 1.069, e a Bélgica ficou em terceiro, com 1.058.O resultado mostra duas faces da Backyard: a resistência individual e a força coletiva.Enquanto Geerts e Steyaert levaram a competição até a 124ª hora, os americanos construíram a vitória com o desempenho de toda a seleção.
Muito além da última volta
Durante 124 horas, dois atletas dividiram o mesmo desafio. Poderiam continuar tentando descobrir quem resistiria por mais tempo, mas escolheram encerrar a participação juntos.Não sabemos exatamente o que conversaram ou como chegaram à decisão. Essa é uma história que só eles podem contar. O que sabemos é que a escolha deixou uma marca singular no Mundial de 2026.Na Backyard, os números ajudam a contar o que aconteceu. Mas nem sempre conseguem explicar tudo. Às vezes, a história mais interessante não está em descobrir quem venceu.Está em entender por que ninguém quis dar a última volta.